O gianduiotto e a arte de transformar limites em sabor
Uma viagem por cacau, avelãs e a criatividade de Turim para descobrir um dos ícones gastronómicos do Piemonte.

Turim e o Piemonte têm uma ligação secular ao chocolate. Ateliers, cafés históricos e mestres chocolateiros moldaram uma identidade gastronómica única, que em fevereiro encontra em São Valentim um momento privilegiado de atenção e apreciação.
Entre os protagonistas deste período destaca-se o gianduiotto, um produto nascido no século XIX que conta a criatividade turinesa, a cultura da avelã piemontesa e o valor do Made in Italy no agroalimentar.
Origens históricas e invenção do gianduiotto

O nascimento do gianduiotto está ligado ao Bloqueio Continental napoleónico, que no início do século XIX tornou o cacau escasso e caro na Europa. Os chocolateiros de Turim procuraram soluções para reduzir o uso de cacau e começaram a misturá-lo com avelãs trituradas, em particular a variedade Tonda Gentile delle Langhe, cultivada no território piemontês e conhecida pelo aroma e pela finura.
Segundo a documentação histórica, foi o artesão Michele Prochet quem aperfeiçoou esta mistura, dando origem à gianduia, a base do futuro gianduiotto. O chocolate derivado desta pasta foi apresentado ao público durante as festividades do Carnaval de Turim de 1865 e associado à máscara de Gianduja, o que contribuiu para a difusão do nome gianduiotto.
Nos anos seguintes, a produção e a comercialização do gianduiotto foram também impulsionadas pela empresa Caffarel, que teve um papel relevante na transformação da invenção artesanal num produto difundido no tecido doceiro de Turim e do Piemonte.
Ingredientes, forma e tradição de produção
O gianduiotto é reconhecível pela sua forma trapezoidal em lingote, obtida ao cortar blocos de pasta de gianduia. A receita tradicional baseia-se em três ingredientes: cacau, açúcar e avelãs piemontesas Tonda Gentile.
A utilização da avelã não foi um simples artifício: deu origem a uma pasta mais macia e aromática, típica das casas de Turim. Daí resultou uma tradição doceira ligada ao território e reconhecível no panorama italiano.
Um símbolo piemontês reconhecido a nível nacional
Hoje, o gianduiotto integra a lista dos Prodotti Agroalimentari Tradizionali do Piemonte, um reconhecimento que protege preparações ligadas ao território e à sua história alimentar. A sua difusão nacional e europeia acompanha a evolução industrial de Turim: das botegas oitocentistas às unidades modernas, até aos cafés históricos do centro da cidade.
O gianduiotto não representa apenas uma excelência local: é também um embaixador cultural da doçaria italiana, capaz de contar a qualidade das matérias-primas, o cuidado artesanal e a capacidade inovadora do setor.
Partilha e cultura alimentar: o gianduiotto de São Valentim

Em fevereiro, o gianduiotto é um dos símbolos gastronómicos mais escolhidos para celebrar São Valentim. A sua história ligada ao Carnaval, o processo artesanal e a textura macia conferida pela avelã piemontesa tornam-no um produto que fala de território e partilha. Oferecer ou saborear gianduiotti significa participar numa tradição que une cultura alimentar e afeto, segundo uma sensibilidade tipicamente italiana que vê a comida como um gesto social.
Quando o Made in Italy encontra buyers e parceiros internacionais
A história do gianduiotto mostra como o Made in Italy é, muitas vezes, o resultado do encontro entre matérias-primas locais, artesanato e capacidade inovadora. É o mesmo mecanismo que encontramos em muitos setores representados na OpportunItaly, a plataforma que liga buyers internacionais às empresas italianas e aos seus distritos produtivos.
Através de cadeias de valor que vão do agroalimentar à mecânica, do design aos bens culturais, a OpportunItaly valoriza competências e territórios, transformando-os em oportunidades de colaboração e negócio.
Fontes:
Museo Torino
Wikipedia
Parco Po Piemontese