A Itália veste o espaço: um novo fato espacial Made in Italy combina inovação, saúde e estilo
Da Apúlia para o espaço, um fato inteligente monitoriza e estimula os músculos dos astronautas para contrariar os efeitos da microgravidade, combinando investigação, tecnologia e design Made in Italy.

Na Apúlia, nasceu um fato inteligente concebido para ajudar o corpo dos astronautas a enfrentar um dos principais problemas das missões espaciais: os efeitos da microgravidade. Sensores, elétrodos e tecidos técnicos trabalham em conjunto para monitorizar a atividade muscular e reproduzir parte dos estímulos que o corpo normalmente recebe na Terra.
Uma tecnologia desenvolvida em Fasano (BR), que em 2024 chegou ao espaço com a missão Ax-3 da Axiom Space, com destino à Estação Espacial Internacional. A bordo da Crew Dragon da SpaceX, o astronauta italiano Walter Villadei testou o fato na configuração dedicada à monitorização muscular. Hoje, o projeto continua com uma nova versão, o EMSi_MK.02, que foi submetido aos primeiros testes em voo parabólico.
Treinar quando o corpo não pesa
Flutuar no espaço pode parecer um movimento sem esforço, mas para o organismo significa perder um estímulo essencial. Em condições de microgravidade, o corpo já não precisa de contrariar continuamente o seu próprio peso e a ausência de carga mecânica provoca um descondicionamento fisiológico progressivo. Mesmo permanências relativamente curtas podem ter consequências nos sistemas musculoesquelético, cardiovascular e neurovestibular, provocando, entre outros, atrofia muscular e desmineralização óssea.
O fato foi criado para complementar o exercício físico com uma tecnologia capaz de estimular de forma direcionada os músculos e amplificar os benefícios da atividade realizada pelos astronautas durante as missões.

Levar a Terra consigo
A versão mais recente do fato, EMSi_MK.02, foi concebida para "ler" o movimento através de sensores biomecânicos bidirecionais e 12 sensores de eletromiografia integrados. Os dados recolhidos permitem ao sistema regular a estimulação neuromuscular de forma adaptativa e em tempo real, através de impulsos direcionados distribuídos por 48 pontos de eletroestimulação.
O dispositivo, portanto, não se limita a observar o que acontece ao corpo, mas reage aos seus movimentos: um princípio que também se aplica a outras áreas da robótica Made in Italy, em que sensores e sistemas inteligentes permitem que as tecnologias adaptem o seu comportamento em tempo real. No fato, o objetivo é aumentar o estímulo recebido pelos músculos durante o exercício e recriar parte das condições experimentadas na Terra.
Leve por fora, tecnológico por dentro
Integrar esta tecnologia sem entravar os movimentos é outro dos desafios do projeto. O sistema completo pesa menos de 1,2 quilogramas. O tecido também faz parte da tecnologia: a configuração atual combina compressão diferencial, propriedades antibacterianas e termorreguladoras e materiais retardadores de chama.
A nova configuração foi testada durante uma campanha de voos parabólicos em Otava, no Canadá, em colaboração com oInternational Institute for Astronautical Sciences, envolvendo as astronautas-investigadoras Norah Patten e Shawna Pandya. Os testes permitiram verificar o ajuste, os componentes e a aquisição de dados eletromiográficos em microgravidade.

Até o espaço tem o seu estilo
Num ambiente em que cada movimento conta, o design e a tecnologia tornam-se indissociáveis. O fato tem de integrar eletrónica, sensores e materiais técnicos, mantendo o conforto e a liberdade de movimentos. Uma abordagem que amplia os limites do design italiano contemporâneo, relacionando estética, desempenho, investigação de materiais e funcionalidade.
Foi precisamente esta síntese entre forma e inovação que levou a EMSi a receber, em 2024, o Compasso d'Oro ADI. Um projeto em que o design e a investigação tecnológica avançam em conjunto: a tecnologia original foi desenvolvida com o apoio do Departamento de Engenharia Elétrica e da Informação do Politécnico de Bari, enquanto a evolução EMSi_MK.02 foi realizada no âmbito de um contrato com a Agência Espacial Italiana.
Quando o Made in Italy coloca a inovação em órbita
Da moda ao design, passando pelas tecnologias mais avançadas: o saber-fazer italiano continua a encontrar novos territórios onde se expressar. Este fato espacial é um exemplo disso, porque reúne investigação científica, engenharia e design numa solução nascida na Apúlia e que chegou até à Estação Espacial Internacional.
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Fontes
Esa-Bic
Asi
Rea Space
Em resumo
Desenvolvido na Apúlia, o EMSi é um fato espacial inteligente que monitoriza e estimula os músculos dos astronautas durante as missões espaciais.
A versão EMSi_MK.02 integra 12 sensores de eletromiografia e 48 pontos de eletroestimulação para ajudar a contrariar os efeitos da microgravidade no organismo.
Com um peso inferior a 1,2 kg e tendo recebido o Compasso d'Oro ADI em 2024, o projeto combina investigação, engenharia e design Made in Italy.
Perguntas Frequentes