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A cosmética italiana torna-se mais sustentável graças às nanotecnologias

Uma patente italiana transforma o soro de leite em membranas ricas em substâncias bioativas, combinando a cadeia de produção de laticínios, a biotecnologia e a economia circular

Quando as competências científicas encontram as necessidades empresariais, ganham forma intuições destinadas a mudar a face de uma indústria. É o que acontece em Itália, onde uma startup está a tornar a cosmética italiana mais sustentável graças ao uso das nanotecnologias. O objetivo é simples: partir de um produto residual para chegar a uma membrana fina que possa ser utilizada nos cuidados da pele.

No centro do processo está o soro de leite, um resíduo da indústria láctea que é difícil de aproveitar. Através de um sistema baseado em eletrofiação e membranas tecnológicas, o projeto recupera proteínas, vitaminas e minerais e outras substâncias bioativas, que podem ser utilizadas em produtos como máscaras e patches. Uma história que mostra como a beleza pode tornar-se circular a partir do que uma cadeia de produção ainda não consegue utilizar plenamente.


Do soro de leite a uma nova matéria cosmética


Após a produção do queijo, o soro conserva inúmeros componentes naturalmente presentes no leite. O problema é a sua perecibilidade: deve ser recolhido e tratado rapidamente para preservar as suas características biológicas.

Esta patente italiana intervém precisamente nesta etapa. O soro é recolhido imediatamente após a fabricação do queijo, purificado e mantido na sua forma líquida, evitando recorrer exclusivamente a ingredientes previamente transformados em pó. Desta forma, as substâncias presentes no líquido podem ser intercetadas por membranas concebidas para as reter.

O resultado é uma matriz enriquecida com proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais. Portanto, já não é apenas um resíduo a gerir, mas uma matéria da qual se podem obter suportes destinados aos cuidados da pele e potencialmente a outras áreas, incluindo a nutracêutica.


Como funcionam as membranas nanotecnológicas eletrofiadas


O cerne da inovação não coincide com um único creme ou com um produto cosmético já embalado. É o processo que representa o principal elemento distintivo. Uma máquina utiliza a técnica de eletrofiação, ou electrospinning, para produzir membranas compostas por fibras muito finas. Durante a filtração, estas estruturas retêm os componentes bioativos do soro e separam uma parte aquosa que pode ser reutilizada nos processos de produção da queijaria ou na agricultura.

Após a filtração, as membranas não são eliminadas. Enriquecidas com as substâncias recuperadas, podem ser transformadas em produtos dedicados aos cuidados da pele. A função de filtro e a de produto final convergem assim no mesmo material. Para que este ciclo possa ocorrer de forma eficiente, no entanto, a tecnologia deve operar perto do ponto onde o soro é produzido, antes que a sua rápida perecibilidade comprometa a sua valorização.


Uma cosmética sustentável que nasce perto das fábricas de laticínios


Desta necessidade nasce a opção de utilizar sistemas de pequenas dimensões, que podem ser instalados diretamente nas fábricas de laticínios. O processamento do soro de leite é assim otimizado, reduzindo custos, evitando o transporte por longas distâncias de um produto facilmente perecível.

O processamento no local não representa, portanto, um elemento acessório, mas completa o próprio funcionamento da inovação. Por um lado, permite recuperar água para ser reintroduzida nos ciclos de produção; por outro, transforma as membranas utilizadas na filtração em novos materiais destinados ao mercado.

A força desta patente está toda na sustentabilidade da inovação, que contribui para tornar a cosmética mais atenta aos desafios ambientais. Todo o ciclo de vida dos recursos representa o momento em que a cosmética se torna ecológica através dos métodos de aprovisionamento, transformação e recuperação dos recursos. O valor ambiental não é acrescentado no final: entra no processo desde o início. 



Biotecnologias e cosmética natural italiana


A investigação subjacente à patente foi desenvolvida entre o norte de Itália, uma zona com forte tradição queijeira, e a Toscana, onde foram elaborados os componentes de engenharia relacionados com as máquinas de eletrofiação. Esta combinação de biotecnologia, design mecânico e conhecimento das matérias-primas abre novas perspetivas para a cosmética natural italiana. De facto, as substâncias utilizadas não são criadas separadamente para depois serem adicionadas a uma fórmula: são recuperadas de um recurso já presente na cadeia agroalimentar.

O projeto insere-se num panorama produtivo em que as empresas de cosméticos italianas dialogam cada vez mais com competências provenientes da química, da biomedicina, do agroalimentar e da ciência dos materiais. Uma abordagem interdisciplinar que também caracteriza outros ecossistemas nacionais de inovação, como o Distrito biomédico de Mirandola.

Da economia circular a uma nova cadeia de valor da beleza


A capacidade de interligar os setores típicos do Made in Italy, que normalmente pertencem a diferentes áreas industriais, representa o verdadeiro potencial da patente. Com efeito, esta não se limita a um único produto, permitindo que as necessidades das diferentes cadeias de valor dialoguem entre si. A necessidade de a indústria dos laticínios gerir os seus subprodutos converge, assim, com a necessidade da indústria cosmética de conciliar rastreabilidade, eficácia e responsabilidade ambiental.

É precisamente no encontro entre as diferentes cadeias de abastecimento que nasce um novo valor. Um resíduo líquido torna-se matéria-prima, a água recuperada regressa ao ciclo de produção e o material filtrante transforma-se num suporte cosmético. A circularidade não coincide apenas com a reciclagem: significa projetar um processo em que cada fase prepara a seguinte. Esta orientação pode contribuir para a evolução daindústria de cosméticos italiana, reforçando uma cultura de produção baseada na colaboração entre investigação, fabrico e territórios.


A investigação italiana como ponte para novos mercados


Esta patente italiana centrada na reutilização de produtos residuais revela uma capacidade típica do Made in Italy: observar uma matéria conhecida, reconhecer um potencial ainda não utilizado e repensá-la através de competências científicas e de conceção. Não é apenas uma nova aplicação do soro de leite, mas um modelo em que a sustentabilidade se torna uma tecnologia de produção capaz de criar ligações entre diferentes setores.

Responder aos desafios ambientais e otimizar os processos de produção é uma necessidade para as empresas, que podem contar com a experiência italiana para integrar conhecimento, criatividade e qualidade na sua cadeia de valor. OpportunItaly coloca em contacto compradores internacionais que pretendem colaborar com os principais intervenientes do setor de bem-estar Made in Italy. Adira ao programa para descobrir serviços adaptados às suas necessidades.

Fontes: 
la Repubblica

Em resumo


  • Uma startup italiana desenvolveu um processo patenteado para valorizar o soro de leite produzido pela indústria láctea.

  • O soro é recolhido ainda fresco, estabilizado e filtrado através de membranas nanotecnológicas.

  • As membranas retêm proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais, enquanto o processo liberta água limpa reutilizável.

  • As membranas enriquecidas com substâncias bioativas podem ser transformadas em máscaras faciais e patches para cuidados com a pele.

  • As minilinhas de produção podem ser instaladas perto das fábricas de laticínios, criando uma ligação direta entre a indústria láctea, a cosmética e a biotecnologia.


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